Cuidar da Lumara tem sido um grande desafio para mim e minha esposa. Principalmente para ela. Uma das coisas que aprendi com

a paternidade é que, de fato, não há ninguém mais dedicado e que seja mais importante nas nossas vidas do que nossa mãe.
Eu ainda posso ajudar com afazeres como buscar água, preparar o banho, pegar a nenê no berço, acalentar, mas nada parece ser mais importante e tranquilizante do que o colo da mãe. Chego a pensar se não seria interessante que o homem tivesse condições de amamentar, pra dar uma força, sei lá. Mas não.
Tento compensar isto de outras formas. Divertindo minha mulher, por exemplo. Fazê-la sorrir em plenas 3 da manhã após mais de 40 minutos amamentando é o mínimo que posso fazer.
- Amor, por favor pegue um copo de suco pra mim? Diz ela.

Entendo que levantar e ir buscar o suco dançando Moonwalker do Michael Jackson, vai fazer com que o cansaço dela passe um pouco. Ah... e só de cueca.
Depois vem o mais complexo: colocar a Lumara pra dormir. É tanto trabalho que já tentamos várias formas esquisitas de fazê-la dormir. Dizem que o bocejo é contagioso né? Até ficar bocejando perto dela a gente ficou.
A princípio, ela vai do peito para o berço meio sonolenta. Dois minutos depois, um gemidinho lá do fundo surge e aí eu entro. A tomo nos braços e fico rodando pela casa em silêncio. Ela não para de se mexer e então começo a cantar alguma coisa. Pego alguma melodia de ninar e coloco letras sem sentido, sem rima, tentando fazer uma voz suave...
"Essa menina só quer passear,
Ela não quer deixar mamãe dormir.
Agora o papai pega ela pra andar
E depois vou pra cama pra dormirrrr."
Mais ou menos assim. E ela? Dorme!

Mas... 15 minutinhos e de novo o gemidinho. Agora a mamãe vai para a rede, pega ela e coloca de bruços no seu colo. Ela adormece mais uma vez e, meia hora depois, transporto ela do colo da mãe para o berço e aí sim, mais três horas de sono.
E quando acorda de manhã, vem o mesmo rostinho choroso e faminto. É sempre assim, com algumas variações. Ela ainda não sorriu pra gente, exceto numa vez em que apostei com um colega que a fazia sorrir. Coloquei meus dois dedos indicadores e coloquei nas bochechinhas dela e puxei pra cima.
Ter filhos é, sem dúvida, a maior demonstração de amor que uma pessoa pode ter sobre outra. Senão não rola. E ser mulher, bem, tem que ser uma dádiva mesmo.