5 de agosto de 2010

Minha reforma ortográfica

Quando começaram a falar em reforma ortográfica, eu pensei que um dos meus sonhos de colégio se realizaria. Na 7ª série eu bolei uma mudança na Língua Portuguesa Nossa de Cada Dia que alterava uma série de coisas. Minha motivação maior, veio do fato de que eu morava no interior e percebia que muitas pessoas erravam a escrita das palavras, mas que no fundo aqueles erros tinham certa lógica.

Por exemplo, quando alguém escrevia “vosê”, eu entendia a linha de raciocínio da pessoa. Ora, o som de "vosê" ficava o mesmo e o “S” até me parecia mais adequado do que o “C” na palavra “você”. Mas regras são regras e tinham que ser seguidas.

Mas aí é que está: as regras da Língua Portuguesa têm muitas exceções. E como diria o filósofo Derek Reard*, se uma regra tem muitas exceções, a regra não foi bem elaborada e todos vão se achar no direito de criar novas exceções.

Veja algumas das mudanças que propus, lembrando que sempre priorizei a fonética:

  • O “C” antes de “e” e “i” teria som de “ke” e “ki”, como com as outras vogais. Portanto, “você” teria realmente que ser “vosê”.
  • Não existiria mais a letra “Q”, que por sinal fica inútil, se observada a regra acima. “Quem” ficaria “cem” e o “100” ficaria “sem”.
  • O “G” antes de “e” e “i” teria som de “gue” e “gui”, como com as outras vogais. Logo, “gueto” seria “geto”, e “gente” seria “jente".
  • Antes do “e” e “i”, o “J” faria as funções do “G” e o “S” faria as funções do “C”, sem problemas.
  • O “e” com som de “i”, seria “i” mesmo. Como em “Si vosê gostar di mim, eu digo ce lhi amo!”
  • O “Ch” seria abolido e tudo seria “X”.
  • K, Y e W ficariam para as outras línguas mesmo. Letras inúteis e desnecessárias.
  • O "S" só funcionaria nas palavras onde tivesse som de "sssssss" de abrir cerveja, como em "saco" ou "serpente". Para o "S" com som de "zzzzzz" de zumbido, seria usado o bom e velho "Z". E o "ss", morreria.
  • As mudanças fonéticas seriam apenas duas: Eliminar o "h" invisível das pronúncias do "T" e do "D", onde "morte" não seria pronunciada como "morthe", e o "-te" seria o mesmo de "Tereza".
E outras mais... Fica esquisito, né? Mas se tivesse começado assim, eu tenho certeza que o aprendizado das crianças seria mais rápido, o índice de analfabetismo seria bem menor que o de hoje, e mais pessoas teriam prazer em escrever, sem o receio de errar. Além disso, menos pessoas sentiriam raiva e prazer ao corrigir alguém, por erros aparentemente idiotas que, no fundo, fazem sentido.

*Eu invento nomes de filósofos pra dar aquele TCHAN nas minhas frases.

3 de agosto de 2010

Atirei o Pau no Gato

Atirei o pau no gato-to
Mas o gato-to
Não morreu-eu-eu
Dona Chica-ca
Admirou-se-se
Do berro, do berro, do berro que o gato deu:
Miau!

Se você nasceu até 1985 e conseguiu ler essa poesia infantil cantarolando uma das músicas mais conhecidas da minha infância, fico feliz por você. Eu tenho saudade dessa época. Saudade do tempo em que “Atirei o pau no gato” era apenas uma música inocente e divertida, que embalava rodas de crianças sem nenhuma maldade. Conversando com a diretora da escola da minha filha, ela me informou que essa música foi abolida de todas as escolas que ela conhece, porque incentiva maus tratos aos animais.

Até criaram outra versão:

Não atire o pau no gato-to
Porque isso-so
Não se faz-faz-faz
O bichinho-o
É nosso amigo-go
Não devemos maltratar os animais
Miau!

Esse é o tipo de caso que reforça o ditado “a maldade está nos olhos de quem vê” e onde o completo com um “e não na boca de quem canta”. Que eu me lembre, jamais senti vontade de atirar um pau num gato por causa dessa música. Na verdade, só vim entender que “do berrô, do berrô...” significava o berro do gato, depois de muito tempo.

A letra da nova versão é perfeita, correta e do bem. Mas... veja que ironia: garanto que quem compôs, não se lembra que para uma criança e até pra nós mesmos, o “não faça!” significa “faça escondido” e o “faça!” significa “vou ver se vale a pena antes de fazer”.

Antigamente não existiam traumas infantis, apologias ao mal com músicas de roda e de ninar, preconceito em qualquer frase, excesso de cuidado... Atualmente tudo é traumático, tudo é apologia ao mal, tudo induz ao erro, tudo é errado, todas as músicas influenciam mal, palmada é crime... Que tempo foi melhor? Algum adulto traumatizado condena os seus pais porque disseram que o homem do saco viria buscar se ele não tomasse banho? Será que a minha infância foi tão complicada e eu nem percebi?

Vou ensinar a minha filha a cantar “Atirei o pau no gato” da maneira que aprendi, e vou ensinar a não maltratar os animais, assim como também aprendi.

28 de julho de 2010

Descobertas arqueológicas no interior do Ceará

Em uma de minhas viagens, encontrei traços da antiguidade que podem revelar, talvez, os maiores segredos da história da humanidade. Veja o vídeo e me ajude a decifrar os códigos de nossos antepassados.


25 de julho de 2010

Twitter - Como localizar um tweet antigo?

A necessidade estimula a criatividade.

Não sei o que deu nas pessoas, que meus posts no Twitter (tweets) são copiados sem os créditos (RT). Eu até costumo falar que tweet bom não é o que tem mais RT's, mas o que tem maior número de cópias sem RT's.

Então, pra provar que determinado tweet era originalmente meu, procurei várias alternativas para localizá-lo entre os tweets antigos, o que é meio complicado na própria plataforma do Twitter porque o localizador (Search) só busca tweets recentes.

Pra incentivar à originalidade e ao RT, vou passar pra você a maneira que encontrei pra localizar um tweet antigo, para que depois mostre que tal pessoa o copiou. É uma maneira meio braçal, mas foi a única que encontrei. Caso você tenha outra forma, por favor avise nos comentários.

1. Entre em http://tweetstats.com/graphs/username (substitua "username" pelo seu username no Twitter.

2. Aguarde todos os gráficos carregarem e clique em Tweet Cloud. Ali serão exibidas as palavras mais utilizadas por você.

3. No espaço de endereço do seu navegador (recomendo sempre o Chrome), digite javascript:search('macaco') teclando "Enter" em seguida. Aí você localizará todos os seus tweets que contenham a palavra "macaco". Deve ser digitado exatamente no formato em negrito acima. Caso não caibam em uma única página, vá clicando em "Load More".

4. Ao encontrar o tweet desejado, copie o link do tweet em About time ago que está logo abaixo do do tweet, e use como quiser.

DETALHES IMPORTANTES: Não funciona com acentos (a não ser que você saiba os códigos de cada um) e com espaços.

Obviamente que a utilidade disso não é apenas denunciar quem copia seus tweets, mas pra qualquer outra situação em que você gostaria de encontrar e localizar algum tweet. Boa sorte.

23 de abril de 2010

Dois pães

- Vai comprar o pão, menino! Disse minha mãe.

E lá ia eu para a padaria cumprir minha rotina e comprar dez pães doces, dois pães d’água e alguma bobagem pra mim. A bobagem variava entre um pedaço de bolo, de rocambole ou um sonho que eu ia comendo no caminho de volta pra casa. Numa mão os pães e na outra a minha bobagem.

Encostei-me no balcão e pedi o de sempre, repetindo a lista de compras. Nesse dia foram dez pães doces, dois pães d’água e um sonho. Com as mãos sobre a vitrine, esperando a moça empacotar o meu pedido, observei que ela colocara doze pães doces e não dez. Um pouco atônito, observei que a moça anotou no caderno de fiados da padaria, na página referente ao meu pai, o valor de apenas dez pães e não doze.

Ela me deu meu pacote com o sorriso de sempre e eu o recebi gelado, olhando-a nos olhos. Eu estava com um gostinho de vitória que nunca havia sentido antes. Um sentimento de conquista, por ter ganhado dois pães a mais sem pagar nada por isso. Peguei o pacote e voltei correndo pra casa. Numa mão o pacote, na outra o meu sonho, que eu comia com mais felicidade do que a de costume.

Em casa, mãe percebeu minha euforia ao chegar da padaria e já foi logo perguntando o que havia acontecido.

- A burra da padaria anotou só dez pães mas colocou doze no pacote! Falei sorrindo, com a alegria de um campeão.

Imediatamente, o sorriso da minha mãe, que acompanhava o meu, foi se fechando, se transformando numa expressão de desgosto, tristeza e raiva.

- Volte com o pacote, devolva os dois pães que não são nossos. A-go-ra! Minha mãe falou com a mansidão de quem está prestes a explodir.

Ela não precisou dizer mais nada e em menos de um minuto eu já estava na padaria.

- Moça, você colocou doze pães e não dez como você anotou. Falei muito envergonhado, sem lembrar que ela nem imaginava que eu havia percebido o erro ainda na padaria.

Aí o momento mágico aconteceu. Ela sorriu surpresa, deu a volta no balcão, recebeu o pacote e passou a mão no meu rosto, agradecendo. Tirou os dois pães e depois me devolveu o pacote, falando que o que eu tinha feito era muito bonito.

Saí com a consciência bem pesada, sensação que naquele momento eu percebi que é a pior que um ser humano pode passar. Prometi a mim mesmo que não queria mais passar por aquilo, por nenhum preço.

A atitude da moça da padaria foi importantíssima pra mim. Fez a diferença. E minha mãe... é minha mãe, né?

21 de abril de 2010

Paródia do Piolho

Eu rio com muitas músicas do palhaço Caçarola, mas essa foi demais. Coloquei umas imagens pra ilustrar.




17 de março de 2010

Apressadinha


Sabe aquele meu desejo de que minha segunda filha viesse na hora certa? Doce ilusão.

Eu estava viajando a trabalho, quando minha esposa liga:

- Amor, estou sentindo umas "dorzinhas" mas não se preocupe não. Vou chamar um táxi pra me levar a Fortaleza agora, porque acho que vou ter a nenê.


Perguntei se ela estava abirobada do juízo e disse que em 30 minutos estaria em casa. A cidade em que eu estava fica a 46km daqui e eu cheguei em exatos 30 minutos, de moto. Encarnou o Valentino Rossi em mim.

Quando cheguei, os portões já estavam abertos e com todas as coisas dentro do carro. Voei até a capital. Minha esposa estava calma, mas de 10 em 10 minutos ela sentia umas dores que doíam até em mim. Liana tinha menos de 8 meses mas parecia querer sair dali de qualquer jeito.

Como moramos em uma cidade pequena e distante da nossa família e não conhecemos muitas pessoas - na verdade, nem dos vizinhos lembro os nomes direito -, éramos só Deus, ela, eu e minha filha de dois anos pra ajudar a ficar ainda mais complicada a situação.

Ao chegar no hospital, o médico, prudentemente, ainda pediu pra fazer um exame que detecta se a mulher realmente está em trabalho de parto, em outra clínica. Outro sofrimento: sair do hospital, enfrentar trânsito, fazer o exame, enfrentar trânsito, voltar para o hospital... e tudo isso com a Lumara brincando, pulando e chorando.

Não deu outra. Liana estava decidida.

Então começamos a receber ajuda dos anjos que Deus manda, depois de nos testar. Enquanto minha esposa estava internada sob os cuidados das enfermeiras, fui deixar a Lumara na casa de um primo, para voltar e fazer companhia a ela. A esposa dele se ofereceu para ir também, e isso foi muito importante. Daí, resolvi chamar quase três mil pessoas para participarem comigo daquele momento. Comecei a "twittar" pelo celular, e dividi a ansiedade com muita gente.


Pode parecer bobagem, mas as dezenas de respostas que recebi nesse momento foram bem importantes. Cheguei a não perceber que o parto estava demorando mais que o normal e, por isso, ter ficado ainda mais preocupado.

Uma hora antes do dia do aniversário de dois anos da irmã, Liana veio. Perfeita, chorando muito, uma beleza! Quando trouxeram minha esposa na maca, fiz um sinal de "positivo" e ela, completamente grogue por causa da anestesia, deu um sorriso de leve.

Pronto, a felicidade estava completa. Só faltava eu ver a minha filha, e quando fui no berçário para ver, não deu pra segurar e meus olhos se encheram de lágrimas porque Deus, mais uma vez, havia sido muito generoso comigo. Tivemos que passar mais uns quatro dias no hospital, mas felizmente já estamos em casa e está tudo bem.

A felicidade de viver está em viver intensamente cada momento, e dar o seu melhor para que esse momento termine bem. Acredito que o sentido da vida está exatamente nisso. Aproveito ainda para agradecer a Deus por tudo, pelo médico sempre atencioso e responsável, pelas enfermeiras, pela minha família, pela família da minha esposa, pelos meus amigos (inclusive os do Twitter) e principalmente pela força incrível da minha esposa e de todas as mulheres que são mães e passam por tudo isso.

22 de fevereiro de 2010

Gooool do São Paulo!

A minha filha não fala muitas palavras. Na verdade ainda fala pouquíssimas pelo pouco convívio com outras crianças, outras pessoas, já que moramos em uma cidade pequena onde ainda não conhecemos muita gente.

Mas ela já fala o mais importante. Papai, mamãe, água, gagau e...



14 de fevereiro de 2010

Um novo sonho

Minha filha tem dois anos e daqui a menos de dois meses, minha segunda filhinha dará as caras. Dizem que foi muito rápido, e foi mesmo. Confesso que não houve um planejamento, mas depois que descobrimos que Liana estava na barriga da minha esposa, tivemos um baque de felicidade e desafio pela frente. Estou muito feliz e ela é muito desejada. Não vejo a hora de vê-la, mas que dessa vez, venha na hora certa.

A experiência que ganhei com a Lumara, vai ajudar no cuidado com a Liana. Abaixo, seguem até uns conselhos que dei pra ela, e que darei para a Liana, após o aprendizado na vivência maravilhosa que é ser pai.

Do twitter:

















E que venha minha Liana!

10 de fevereiro de 2010

Este blog não morreu...

Fico feliz quando alguém sente falta de postagens, "cadê suas histórias", "por que não escreve mais", "não acabe com o blog"...

Muita coisa legal tem acontecido na minha vida e gostaria muito de poder contar aqui. No entanto, tenho passado essas informações pelo Twitter @anonimofamoso, dada a velocidade nas respostas e outras coisas mais.

Mas o blog não morreu. Penso em mudar um pouco a linha, como por exemplo, postar algo mais do que histórias minhas, mas não sei se isso será conveniente. Você poderia me dar sua opinião de presente?

Enfim, obrigado pela amizade e pelas visitas. Voltem de vez em quando.
Um abraço.

6 de novembro de 2009

Um tocar diferente

Fui com uma colega visitar alguns de nossos clientes. Em uma das visitas, um aprendizado incrível: o filho da cliente tem 8 anos e tem duas próteses de vidro no lugar dos olhos.

Enquanto minha colega conversava com a mãe do menino sobre negócios, eu não parava de me admirar com aquela criança elétrica que brincava e andava pela casa como se tivesse uma visão normal, desviando de tudo, voltando a cabeça para quem falava...

Mas o que me impressionou mesmo foi sua sensibilidade. Ao perceber que eu estava lá, ele foi até mim. Com os bracinhos esticados e mãos sedentas por informação, por sentimento, ele tocou minha bolsa, depois meu braço e depois meu rosto.

- Você é o marido daquela menina que tá falando com minha mãe? Disse ele.

- Não, eu sou muito feio pra ela. Respondi rindo.

Ele riu e continuamos conversando. Enquanto conversávamos ele não parava de tocar em mim, na minha bolsa, querendo saber o que tinha dentro. Sua mão era tão macia, tão viva que eu a sentia como se estivesse me sugando informações, e de fato era isso que estava acontecendo. O mais interessante é que era um toque de carinho, de respeito, de “quero saber como você é, porque isso é importante pra mim”.

Mal sabia ele que estava sendo muito importante pra mim também. Aquilo me fez refletir muito sobre a atenção que devemos dar às pessoas, suas informações e do quanto é valioso receber atenção. Fez-me entender ainda mais que o olho é apenas uma das infinitas maneiras de se perceber alguém.

31 de outubro de 2009

Casamento

Essas fotos são de 2006. Na época eu morava em uma cidade e minha esposa em outra. A princípio isso parece ruim, mas considero uma fase fundamental de nossas vidas. Às vezes é importante estar longe para entender a importância de estar perto.

Já as coloquei no orkut e tirei. Elas mostram como era a nossa "rotina". Algumas pessoas pediram pra postar no blog e resolvi colocá-las agora.




É sábado e eu fico bem quietinho só esperando ela chegar.


Ela chega faminta e fica ali, do meu lado, para que eu faça sua comidinha.


Depois ela vai ler. Tão intelectual essa minha esposa!


Eu lavo toda a roupinha dela.


Passar roupa eu não gosto. Mas tudo por ela.


Ela me orienta em todas as ocasiões.


Querendo apressar o serviço pra ficar junto dela, cometo alguns deslizes...


Aí ela me chama atenção e me corrige me fazendo um homem melhor.


E depois dessa canseira toda, ela merece um descanso todo especial.

15 de outubro de 2009

Vai!

Fui passar um fim de semana na casa de uma tia, que mora numa localidade rural a 40 quilômetros daqui de casa. São 20km de asfalto e 20km de estrada carroçal, de várzea, com muita areia, pedras e até um rio no meio do caminho.

E toda estrada carroçal é cheia de desvios e entradas, então, torna-se praticamente uma obrigação ter que parar para perguntar a quem aparecer no caminho. O problema é que fomos em horário de almoço e não aparecia ninguém para nos dar informação. Aí fiz o vídeo abaixo pensando em postar pra você.

No entanto, o engraçado do vídeo é mais uma vez a minha filha. Sempre que pegamos a câmera digital e apontamos pra ela, dizemos "Vai!" para que ela faça uma pose. Ela aprendeu isso e agora ela é quem fica falando "Vai!" e fazendo pose. Também funciona com celular.