No meu time de futebol, entre 30 garotos que viajavam para jogar em outras cidades, eu era o único que não ingeria uma só gota de álcool. Nem por isso eu deixava de me enturmar e estava sempre no meio da roda, rindo das macacadas de quem bebe e fazendo as minhas. É, não preciso beber pra fazer macacada. Aliás, confronto de igual pra igual com o Canabrava em imitação de bêbado. Os amigos mais próximos, que sabem que eu não bebo, chegam a ficar cheio de dúvidas se bebi ou não. :)
Eu tive muitas chances de ser influenciado e começar a beber também. As consequências que a bebida proporciona já me assustavam, mas mesmo assim, certo dia fui experimentar o gosto. Tinha que haver algo de bom nisso.

Primeiro foi um gole de cerveja: que treco amargo! Depois foi a cachaça: cara, como alguém pode gostar de uma coisa queimando pela goela? Enfim, decidi que aquilo não era pra mim e ratifiquei ainda mais meu pensamento de que há gosto pra tudo.
Há uma reação imediata quando alguém descobre que não bebo. Perguntam se eu sou evangélico e eu respondo automaticamente que "não, não sou evangélico, apenas não me dou com o gosto".
Não tenho nada contra pessoas que bebem. Cada um faz a si o que quer. O problema é que, ao beber, a pessoa - com o desequilibrio provocado pela bebida - pode afetar negativamente a vida de outras pessoas e isso não acho justo.









E então comecei a cantar em um grupo da igreja. As missas mais bonitas tinham o grupo Totus Tuus na parte musical. Eu era apenas uma das oito vozes que faziam daquelas músicas, motivo de admiração e atenção durante a missa. Foi uma grande fase na minha vida, de muito aprendizado, de entender um pouco mais do sentimento das pessoas, principalmente com relação à religião. E o mais importante: amadureci muito entendendo que há pessoas de todos os tipos e que nem todas são boas apesar de parecerem. E, quando somos cientes de que as pessoas podem e têm o direito - que Deus deu - de serem falhas, ficamos menos sensíveis às possíveis decepções pela frente.









