7 de abril de 2009

A época das brincadeiras

Durante minha infância, uma brincadeira era como uma estação do ano: tinha seu tempo, sua época.

Tinha o tempo da bila...
Bola de gude

E todas as ruas se enchiam de buracos, cacos de bila, cada criança com seu saquinho de bila, bilas coloridas, havia luta pelo maior cocão (bila maior), bilas de ferro eram roubadas dos rolamentos nas oficinas e muita diversão.

Tinha o tempo da arraia...
Pipa

E todas as crianças não viam a hora de voltar da padaria, pegar a sacola e transformar em rabiola (rabo da pipa). As papelarias adoravam ver aquele monte de criança querendo comprar papel de arraia. Linhas nylon – sem cerol - enroladas em latas de leite vazias para passar a tarde inteira vendo aquele colorido no céu.

Tinha o tempo do estorô...
Uma espécie de polícia e ladrão entre grupos.

E ninguém queria correr menos que o amiguinho. Os moradores nem estranhavam quando a gente invadia seus quintais procurando um bom esconderijo, e ninguém se importava de correr sem camisa e com uma máscara de ninja pelo meio das ruas.

Tinha o tempo do tubo...
Esconde-esconde onde o poste é substituído por um tubo de plástico.

E não se falava em mais outra coisa durante todo o dia. Mais de 20, 30, 50 crianças de todas as partes da cidade se reuniam em volta de um único tubo. O que conseguia chutar mais vezes o tubo e libertar muitos amigos virava herói no dia seguinte.

Tinha o tempo da carteira de cigarro...
Embalagens de cigarro transformadas em notas – como dinheiro - que eram usadas em pequenas apostas ou competições de tiro de chinelo à distância.

E rico era quem conseguia encontrar uma carteira de cigarro importado. A demanda das ‘notas’ definia seu valor. Lembro-me que Belmont (a mais usada por bêbados) era a nota mais baixinha, todos conseguiam achar. A Charm era de valor médio. Malboro e outras raras eram equivalentes a ouro. E em toda a minha vida, jamais encontrei outra boa serventia na fabricação de cigarros.

Tinha o tempo do futebol de travinha...
Futebol jogado no meio da rua onde as traves têm menos de um metro e são feitas com uma banda de tijolo ou chinelos.

Ah, o futebol! Todo tempo era tempo de futebol. Chegar da aula, trocar de roupa e partir para a rua jogar futebol! Ainda lembro de detalhes, algumas jogadas e de um gol de cabeça que fiz.

A infância precisa ser intensa, gostosa e inesquecível. Tive muita sorte por ter pais que compreendiam isso e ainda, por ter amigos que me ajudaram a fazer de minha infância a preciosidade que foi.

5 comentários:

  1. Apesar de suspeita, acho lindo o trabalho dele. Não por ser meu amigo, mas pq realmente é mto bom. Precisaria ver ao vivo. O tamanho das telas, a vivacidade das cores. É impressionante!

    E infância devia ser mesmo especial para todos. Saudades daquela época tão boa, tão tranquila, onde a maior das preocupações era apenas experimentar novas brincadeiras.
    :) Como tenho saudades, meu Deus!

    Só não conhecia nenhum dos nomes de cada um desses tópicos que vc listou. Adoro esse Brasil gigante, onde cada região tem seus preciosismos e particularidades.

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  2. é verdade, temos sempre que observar varios pontos de vista.
    mais nesse caso minha amiga realmente nao sabia o que fazer.
    gostei do teu blog, parabéns
    é tão bom relembrar as gostosas brincadeiras da infancia né?
    se puder, acompanha o meu blog, beijao, Gabi.


    p.s:http://sweethoneeey.blogspot.com/
    esse é o meu outro blog, se quizer dar uma olhadinha, fica a vontade.

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  3. Olá,
    voltei no tempo com essa lista de brincadeiras!
    Algumas eu inclusive já participei,
    outras nem fazia idéia,
    e me lembrei de outras tantas não listadas
    Dáa uma saudade!!!

    Obrigada pela visita ao blog!!

    =D

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  4. So joguei Bola de gude e
    brinquei de policia ladrao, mas meu preferido era subir em arvores. Háaa
    como era O paraiso!

    bju...
    virei seguidora =D

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  5. precisei tão sedo amadurecer q fiz isso só por fora não vivi minha infância plenamente por isso existe uma criança mau resolvida dentro de mim enquanto tento aparentar ser mulher..........

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Seu comentário me fará bem. :)