1 de abril de 2009

Vocação para ensinar

E quando eu pensava que tinha o dom de repassar conhecimento e ensinar, eis que minha esposa faz a pergunta que mudou completamente esse pensamento:

- Mô, me ensina a dirigir?

A princípio considerei uma ótima ideia. Lembrei das viagens que fazemos à noite e que eu bem que poderia trazer a Lumara no colo enquanto ela dirigiria. Topei na hora e aí fizemos a primeira aula.

Senti que ela estava emocionada ao sentar no banco do motorista. Suas mãos tremiam um pouco e seu sorriso era contagiante. Percebi também que ela tentava me esconder, por trás desse sorriso, que estava morreeeendo de medo. Tentei tranquilizar falando que era muito simples e dando as orientações mais básicas.

O carro estancou cinco vezes antes de ela conseguir sair. Não adiantava eu tentar acalmar, o negócio não fluía. E aí seguimos normalmente, de segunda, quando vem um carro em nossa frente numa pista onde passariam uns 10 carros ao mesmo tempo:

- E agora, e agora, e agora? Perguntou ela.

Repeti "calma" muitas vezes sendo que eu mesmo não consegui ficar calmo. Ela parou o carro e disse que nunca mais dirigiria comigo do lado.

Um mês depois, eu mesmo, com sentimento de culpa, decidi pedir pra ela tentar mais uma vez. Ela aceitou. Nessa vez, o carro só estancou quatro vezes e no primeiro cruzamento ela quase subiu na quina da rua quando foi fazer a curva. Confesso que perdi um pouco a paciência, aliás, descobri que não tenho paciência para ensinar a dirigir.

O que me conforta é que conversei com alguns amigos que comentaram sobre a mesma dificuldade. Concluí que é extremamente difícil "ensinar à noiva, namorada ou esposa a dirigir". Por que será?

Aqui fica meu reconhecimento aos amigos que conseguem essa façanha. :)

30 de março de 2009

Ptu, papapapa, Jibuuu, paiiinnnnn, mamamama!

Minha filha está cada vez mais linda e a agora está muito faladeira. Fala de tudo, mas num idioma que é só dela.




Eu juro... Eu juro que pagaria caro pra entender o que ela quer dizer.

24 de março de 2009

Meu nome é esquisito?

Lu-il-ton... a princípio um nome esquisito mas que depois do orkut, mostrou que nem é tão esquisito assim.

Tem um que é de Quixeré e ainda é fera:
http://www.orkut.com.br/Main#Profile.aspx?uid=15778067358183162281

Outro que é DJ:
http://www.orkut.com.br/Main#Profile.aspx?uid=2619223973838332133

Tem o pegador:
http://www.orkut.com.br/Main#Profile.aspx?uid=17943153372058433742

Tem até um presidente dos EUA:
http://www.orkut.com.br/Main#Profile.aspx?uid=17740397942494601651

Bom... agora só falta alguém colocar o nome "Luilton" em algum personagem de novela das oito e aí sim, nunca mais terei que repetir meu nome três ou quatro vezes a quem perguntar!

23 de março de 2009

O Primeiro Artista

Na minha infância, as noites de sexta-feira tinham sempre um brilho diferente. Era dia de cantoria na quitanda do vizinho.

O cenário era sempre o mesmo: uma lâmpada amarela pendurada na frente da casa, dois tamboretes, uma viola, um pandeiro e um chapéu no chão. Bancos de madeira em forma de V, acomodavam a plateia que chegava aos poucos e a partir das 20h todos ficavam apenas aguardando o nosso grande ídolo.

Era o momento de rever os vizinhos, a comunidade. A roupa nova que fulano comprou, o chapéu novo, o perfume forte, o sorriso e a petulância de cicranos...

Todos queriam ver ele. O maior cantor de cantoria que conhecíamos. O que encantava todas as senhoras, tinha o respeito dos senhores e admirava aos olhos das crianças como eu.

Manoel Gonçalves.

O parceiro dele (o do pandeiro) variava, mas ele, Manoel Gonçalves, sempre estava lá com sua viola fazendo rimas e rimas, cantando a nossa vida e no nosso ritmo. Não durava 10 minutos, o chapéu enchia de dinheiro.

Após o show, eu e meus amigos saíamos cantarolando os versos, certos de que queríamos ser cantores de cantoria quando crescêssemos.


"Coqueiro da Bahia, quero ver meu bem agora...
Coqueiro da Bahia, quero ver meu bem agora.
Quer ir mais eu, vamos! Quer ir mais eu, vumbora!
Quer ir mais eu, vamos! Quer ir mais eu, vumbora!"

Ô saudade...

15 de março de 2009

Canudinho

Estava trabalhando, visitando muitos clientes, quando a sede me ataca subitamente. A temperatura estava alta e eu, que só ando com capa de chuva (inclusive no sol) estava derretendo. Acelerei a moto em busca da primeira lanchonete para tomar aquele suco geladinho.
Cheguei no balcão e tive que bater palmas pois o proprietário estava nos fundos, dentro de sua casa. Ele veio meio desinteressado me atender.

- Que suco que tem? Perguntei.

Ele virou as costas e foi para o freezer.

- Só tem de goiaba. Respondeu levantando a garrafa pet de dois litros e um negócio vermelho dentro.

Eu nunca havia visto um suco tão feio. Imagine um suco de melancia, misturado com pedaços de queijo e pedaços de manteiga por dentro. Então, coloque clara de ovos batida na parte de cima e de baixo.

Desviei o olhar pra baixo pensando em sair dali com sede, quando vi o que poderia me salvar naquele momento: um coco! Afinal, a água do coco não passa por manejo, é limpa e vem como a natureza quer.
- Eu quero um coco.

A cara dele foi de um desânimo total. Na lanchonete não havia aquela ferramenta que abre coco com uma simples furada. Ou seja, ele teria que usar o método tradicional com um facão, rodeando a parte de cima e ainda levar um esguicho na cara. Ele fez.

Quando ele trouxe o coco, colocou um daqueles suportes de canudinhos do lado e eu tirei um. Eu nunca havia olhado para o interior de um canudo antes, mas toda aquela situação (do suco, do desinteresse do dono, etc.) me fez duvidar de tudo, inclusive... do interior do canudo.

Rapaz... raramente eu tenho ânsia de vômito, mas nesse dia eu quase desmaio. Não apenas por ver aqueles pontos pretos, ilhas de milhares de bactérias e bastante mofo por dentro daquele canudinho, mas pelos pontos pretos, ilhas de bactérias e mofo dos canudinhos que não olhei durante toda a minha vida.

Tirei dois reais da carteira, deixei no balcão e fui embora, para nunca mais voltar. Mas agradeço por esse momento, já que depois disso eu nunca mais deixei de olhar os canudinhos quando vou tomar algo. E olhe, é de impressionar.

E você, também olha o interior do canudinho?

2 de março de 2009

A Claro está escura

O trocadilho é triste, assim como o atendimento que tenho recebido da Claro, operadora que escolhi para usar a internet.

Nunca imaginei que uma empresa tão grande pudesse ser tão negligente. Não falo em ter um serviço ruim, pois tecnicamente, em tudo é permitido falha. Mas principalmente, no descaso com um cliente e cidadão, na demora para atender minhas necessidades e meus problemas.

Bom... quando a situação normalizar (eu mudar de operadora), retornarei com as historinhas. Um abraço.

11 de janeiro de 2009

O Cheiro do Amor

Fazia pouco tempo que eu havia sido transferido de cidade e pela primeira vez eu passaria um aniversário junto com minha nova equipe de trabalho.

Como em todos os nove de maio, acordei muito feliz, vibrante, leve e com a doce sensação de mais um ano bem vivido e com o desejo de no mínimo manter a felicidade em que me encontrava por mais muitos anos.

A lembrança dos amigos só alimenta cada vez mais esse sentimento de alegria. A minha esposa, claro, foi a primeira a me dar os parabéns. Preparou um belo café da manhã com o bom e velho sanduíche de manteiga e foi até a porta comigo quando saía para o trabalho. Pouco a pouco os familiares e os velhos amigos começaram a ligar e eu me sentia cada vez mais amado, exceto pelo fato de ninguém da minha nova equipe haver lembrado.

Durante o dia inteiro, nenhum sorriso diferente, nenhuma pequena manifestação ou, pelo menos, algo que deixasse escapar uma festinha surpresa no final do expediente. Nada. E eles sabiam do meu dia pois, no mês passado, durante a festinha que havíamos feito para um dos colegas, foi proclamado em alta voz que a próxima festinha era pra mim.

Exatamente naquele dia, o meu superior regional estava na cidade. Uma visita de rotina, uma conversa com a equipe e logo voltaria à capital. Fim do dia, todos para casa, inclusive o chefe. E, claro, eu também.

Ao chegar em casa vou rapidamente desabafar com minha esposa a frustração por ninguém da minha nova equipe haver lembrado do dia do meu aniversário. Poxa, nenhum cartãozinho em PowerPoint? Eu não merecia.

- Ah, faz menos de seis meses que você está aqui. Eles não teriam obrigação de lembrar. Não fica assim... Disse minha mulher.

A parte do “não fica assim”, ela falou com aquele tom de esposa para marido, com um olhar lateral e sorriso maroto. Bom, seria um maravilhoso encerramento para um dia de aniversário e não perdemos tempo. Estávamos na sala de estar e na sala de estar aconteceu tudo...

... até ouvirmos a campainha.

Deixei o meu posto e fui verificar pelas venezianas quem se atrevia a incomodar naquela noite tão especial. Era toda a minha equipe, suas famílias e, de quebra, o meu chefe. Umas 25 pessoas com um monte de salgadinhos e refrigerantes nas mãos, atrás do portão do prédio chamando por mim.

Numa mistura de vergonha e surpresa agradável, gritei “já vou” e começamos a operação “desmancha ambiente”: vesti minha camisa, ela colocou o vestido, colocamos o sofá e a mesa de centro no lugar, enxugamos o suor nas roupas e ligamos a luz. Ops! Minha camisa estava ao avesso... Coloquei do lado correto e enxuguei um pouco mais do suor. Tudo isso em menos de 20 segundos!

Abri a porta com um sorriso meio amarelo e fui caminhando lentamente até o portão. Era um tempinho a mais que minha esposa teria para ajeitar algo. Umas trocas de chave – propositais – no cadeado do portão e mais tempo ganho. Até que eles entram.

Apesar do nosso esforço não deu para disfarçar em nada o que estávamos fazendo havia alguns minutos. O suor era incontrolável pela situação e vergonha naquele momento. Enquanto as mulheres colocavam a mesa, eu tentava fazer de conta que não estava percebendo as risadas contidas. Afinal, quase todos eram casados e conheciam muito bem aquele ambiente. Ainda pairava o cheiro do amor, odor tradicional desses momentos que todo mundo reconhece. O mais engraçado era a carinha de nojo que todos tinham ao apertar minha mão. Isso foi interessante. O resto foi só vergonha.

Na época eu não sabia muito bem se estava feliz ou envergonhado com a surpresa. O que sei é que foi um momento inesquecível, exatamente como devem ser os dias de aniversário. Portanto, hoje não tenho dúvida: estava feliz.

E fica uma dica. Nunca faça uma festa surpresa com alguém sem combinar com a esposa ou esposo.

31 de dezembro de 2008

Feliz 2008!

No final de 2007, quem desejou feliz 2008 para mim, vou logo avisando. O seu desejo foi atendido.

Em 2008 nasceu minha princesa, mudei de vida, fui promovido e reconhecido no trabalho, troquei de carro, conheci um número muito bom de pessoas novas, consegui manter o máximo de contato com os velhos amigos, com a família, e está finalizando com uma gostosa sensação de dever cumprido e que passei por mais um ano bem e feliz, junto com minha esposa.

E mais... sem nenhuma dívida! :)

Então, eu imploro, deseje-me um feliz 2009 com a mesma força que desejaram um feliz 2008!

E em 2009 prometo atualizar mais. Tenho N historinhas boas, todas com um título e sem texto, porque o tempo realmente foi pouco para o blog.

UM ABRAÇO EM VOCÊ E UM GRANDE, FELIZ, SAUDÁVEL E SURPREENDENTE 2009!!!

14 de dezembro de 2008

O Preço do Cocô

Fui comprar umas camisas no fim-de-semana passado, aproveitando uma viagem que tive que fazer para Fortaleza. Não gosto de comprar roupas, pois sempre me arrependo da compra algumas horas depois e, além disso, qualquer paninho é mais de 30 reais. Nã...

Na volta, a Lumara, minha filha, pegou o pacote com as camisas e começou a brincar com uma delas. Brincou, brincou até a chegar em casa.

No dia seguinte, ao trocar a fralda dela, minha esposa percebeu um pedaço de etiqueta grudado no cocô dela. Na etiqueta, os números 4,99 num papel amarelo.

Era um pedaço da etiqueta de R$ 24,99 da camisa que havia comprado no dia anterior. Agora deu, essa menina comendo papel. :)

Obrigado

Obrigado por todas as visitas e leituras.
Obrigado aos que entram na comunidade no orkut.
Obrigado pelos comentários.
Obrigado a todos que nunca me viram pessoalmente e mesmo assim me transmitem boa energia.
Obrigado aos que me conhecem pessoalmente e mesmo assim ainda vêm ler minhas historinhas.

Enfim, gratidão é o sentimento que mais me agrada e que sempre me traz retorno positivo. Então, aí uma grande dose de gratidão. Obrigado.

23 de novembro de 2008

Bom de Briga


Nunca fui bom de briga. Devo ter brigado umas três vezes, no máximo, quando criança. Nunca concordei que a força física prevalece sobre o diálogo.

Até porque se eu não pensasse assim, não me restaria nenhuma alternativa para me sair bem dos conflitos que a vida nos impõe.

Na sétima série, eu fazia parte de uma turma. Era uma turma bem bagunceira, mas que não pregava ou impunha nada de maldoso contra as pessoas. No entanto, colocávamos apelidos meio constrangedores nos coleguinhas que acabavam por irritá-los muito.

Certa vez minha turma encheu a cabeça de um colega que tinha o apelido de "Patilha" por causa do tênis que ele usava pra ir à escola, que parecia uma sapatilha de balé. Então ele, enfurecido, escolheu o mais fraquinho da turma para pegar na saída. Ou seja... sobrou pra mim.

Ele me marcou durante todo o restante da aula. Pensei em pedir pra sair com a professora e outras coisas, mas nada parecia ser uma boa idéia. E a minha turma? Só me desejava boa sorte e que, depois do primeiro murro, eles entrariam.

Aí só me restou uma chance. Eu corria muito quando criança. Corria muito mesmo.

Na saída da escola eu já me preparava pra correr quando fui cercado por Patilha. Ele já estava sem camisa, tipo Bruce Lee. Ela havia jogado a mochila no chão, e isso já era sinal que o negócio estava sério. Os colegas fizeram uma rodinha e ali estávamos. Eu não tinha a mínima idéia do que ia fazer. Foi quando apareceu uma professora santa mandando o Patilha parar com aquilo. Ela o fez vestir a camisa, pegar suas coisas e sair.
Mas antes eu falei pra ele:

- Cara, pode sair dizendo pra todo mundo que você me bateu. Que me derrubou e que ganhou de mim. Você é bem mais forte, nem precisa a gente brigar pra eu saber que você vai ganhar. Eu podia correr mas queria que você soubesse disso.

Ele saiu bem zangado, mas no outro dia já estava tudo normal de novo. Evitamos nos ferir e o caso foi resolvido. E nunca mais o chamei de Patilha... na frente dele.

Virus

Já chega.
Recebo muitos e-mails por dia e 90% deles são spam e virus, e a maioria tem algo a ver com dicas e produtos para "aumentar o pênis".

O que me deixa muito intrigado é: como é que eles sabem?

6 de novembro de 2008

Sinceridade

Novo na cidade, fui procurar um salão de beleza com uma aparência confiável para aparar os cabelos. Quando alguém vai cortar o nosso cabelo pela primeira vez, é aquela tensão.

E se ficar um buraco? E se pelar demais? E se a navalha me cortar? Etc., etc., etc.

Afinal, aparência é um treco importante. Tem gente que diz que o que vale é a beleza interior... pode até ser, mas desprezar uma boa aparência 'exterior' é estar totalmente alheio às exigências do mercado, do mundo e tal.
Para aliviar o nervosismo em primeiros encontros, sempre uso prosas. Brincadeirinhas com a pessoa que acabei de conhecer.

Entrei no salão, fui bem recebido e aguardei terminar o atendimento de uma cliente. Quando chegou a minha vez, caminhei até a cadeira, tirei o óculos, cumprimentei a cabeleireira e disse:

- Olá, quero cortar o cabelo. Será que você pode me deixar bonito?

Ela respondeu friamente sem nenhum esboço de sorriso:

- Olha... eu só ajeito o cabelo.

Bom... não sei se admiro a mulher pela sinceridade ou se acho ela uma chata sem-vergonha. rs

21 de outubro de 2008

Tem sempre alguém nos vendo...

... e interpretando nossas ações.

Eu torço pelo São Paulo.

Na copa Libertadores de 2005, todos os jogos eram nas quartas-feiras. Eu gritava muito durante os jogos e principalmente depois das vitórias e classificações.

Uma velhinha, minha vizinha de baixo, fofocou pra vizinhança inteira que eu brigava com minha mulher, e a chamava de anta, e mandava pra pqp e que eu não tinha o mínimo de respeito com ela, quando na verdade os meus berros eram com o juiz e com os jogadores do tricolor durante os jogos.

Vim saber disso quando uma vizinha comentou com minha esposa, perguntando se as fofocas da velhinha procediam...



... e ela ainda dizia que, coincidentemente, as brigas eram toda quarta-feira.